segunda-feira, 14 de junho de 2010

Cadeias carbônicas I

Me perdi nas cadeias carbônicas
epinefrina, tirosina.
nos ecos e nas reverberações.
de algo que nos emana e nos torna imensos.

Nos corredores que andei por aí,
já nao consigo ver um espaço vazio
uma lacuna, uma divisão entre eu e você
abraços efusivos, palavras derretidas
dimensões que não se medem,
sua intempestiva vontade
de me dominar por inteiro e me sentir assimétrico
de todo o resto.

Ocitocina,
você pegou isso daqui de dentro e maximizou todas as barreiras
você
me suga,
me absorve,
faz me sentir dominado
cheio de anestésicos e cepacaína
dor que eu adoro sentir
agonia que só você dissolve
com beijos e seu cheiro
e as coisas que eu sempre sonhei

Delírio onírico,
parte dos meus sonhos que eu mal consigo lembrar
seu rosto sempre angelical entre sonetos
causa das melhores narcolepsias
nostalgia de coisas que nem vivi ao seu lado.
saudade das cores tactivas
cadeias aromáticas de emoções que não consigo controlar
Românticos viciados em altas doses disso.

Adrenalina desenfreada, meu inibidor de serotonina.
Hidroxilações insuficientes
Perdido entre 3 da manhã e 6 da tarde
lembrando do seu por do sol naquele mes de setembro
ou de julho ou de março

Aqueles abraços quentes em dias gelados.
Maõs suadas, e dermes
sensoriadamente incapazes
de exalar os nossos sonhos
e de controlar nossas vontades.

Porque não há limite entre os amantes
entre os viciados na dor da ausência
e na felicidade de um simples sorriso.
Pois não há maior revolução
que amar e ser amado

E se sentir totalmente vulnerável
pela incerteza de estar tão certo
de uma certeza pleonástica
de que seus beijos são os mais doces que já provei
e os mais suaves que existirão
e são dos únicos lábios
que me fazem me sentir em casa
e todos os problemas vão embora
naquele por-do-sol fraco,
quando faltam 10 segundos para o crepúsculo

E sinto o mundo inteiro ao meu redor
naquele horizonte amarelo alanranjado
que só consegue ser brilhante
e me cegar por inteiro,
por ter você ao meu lado.



Urb. Fragilis

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